@MASTERSTHESIS{ 2025:1492583665, title = {A dor que transcende à pele e as marcas que contam histórias: casos de autolesão não suicida na adolescência atendidos em um centro de atenção psicossocial}, year = {2025}, url = "https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/11401", abstract = "A Autolesão Não Suicida (ALNS) caracteriza-se pelo ato em que o sujeito recorre a agressões ao próprio corpo sem intenção suicida, buscando aliviar dores emocionais por meio da dor física. Trata-se de um fenômeno que emerge principalmente na adolescência. As formas de autolesão são variadas, como cortes, queimaduras ou agressões corporais, e não podem ser reduzidas a um único significado ou explicação. Por se tratar de um fenômeno multifatorial, suas motivações devem ser compreendidas a partir das singularidades de cada adolescente e das dinâmicas relacionais, sociais, econômicas e históricas que atravessam suas experiências. Assim, estudar a ALNS implica reconhecer que o ato expressa sentidos produzidos no encontro entre sujeito, contexto e relações, e não simplesmente um sintoma ou transtorno isolado. Este estudo investiga a ALNS na adolescência a partir das vivências de adolescentes acompanhados no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) de Parintins/AM e das compreensões da equipe multiprofissional. A pesquisa, ancorada na abordagem qualitativa e na Psicologia Sócio-Histórica, utilizou observação participante, entrevistas narrativas, entrevistas semiestruturadas, questionários sociodemográficos e diário de campo. Esse conjunto de instrumentos possibilitou captar significados produzidos no entrelaçamento das dimensões subjetivas e dos contextos sociais, culturais e institucionais que constituem o cotidiano dos adolescentes e do serviço. Os resultados revelam que a ALNS surge como tentativa de produzir alívio diante de vivências marcadas por negligências, situações de violência, luto, conflitos familiares, e sofrimento emocional silenciado. As narrativas dos adolescentes “Coração de Ouro” e “Darwin” mostram como a dor física é mobilizada para regular afetos, criar sensação de controle, de se sentir e tornar visível seu sofrimento. Assim, reafirma-se que a ALNS não expressa desejo de morte, mas uma forma de resistência e comunicação frente à dor. No âmbito institucional, a análise do cotidiano do CAPS II evidencia desafios estruturais relacionados à alta demanda de atendimentos, à sobrecarga de trabalho e às fragilidades na articulação com as famílias. Esses elementos impactam o percurso de cuidado, mas não anulam a centralidade do compromisso ético e humanizado da equipe multiprofissional. Os profissionais destacam a importância da escuta, do acolhimento não julgador e da construção de vínculos que considerem a historicidade e as narrativas dos adolescentes. A pesquisa reafirma a necessidade de compreender a ALNS para além da patologização, deslocando interpretações que reduzem o adolescente a um diagnóstico e obscurecem as dimensões sociais, relacionais e culturais que atravessam o fenômeno. Essas dificuldades se intensificam diante das particularidades da região amazônica e das diversas adolescências que a constituem, especialmente no que se refere ao acesso aos serviços de saúde mental. Ainda que os adolescentes participantes deste estudo sejam residentes de Parintins, é importante reconhecer que o cuidado em saúde mental na Amazônia é atravessado por desafios estruturais mais amplos, como as grandes distâncias geográficas entre municípios, a dependência das vias fluviais para deslocamento e a limitação de recursos. Tais elementos precisam ser considerados tanto na formulação de políticas públicas quanto na implementação de práticas de cuidado, que reforcem a necessidade de reconhecer as especificidades territoriais, culturais e sociais que atravessam a vida dos adolescentes amazônidas.", publisher = {Universidade Federal do Amazonas}, scholl = {Programa de Pós-graduação em Psicologia}, note = {Faculdade de Psicologia} }